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João
Rossi deixa sua obra e história na Vila Sônia Professor Rossi, artista plástico, faleceu no dia 18 de julho de 2000, em sua residência, na Vila Sônia. Rossi e sua companheira escolheram o bairro da Vila Sônia, em 1958, para construírem a residência da família e também o ateliê, que tem o nome "Estúdio Isabel Olmedo". O amigo e arquiteto Bernardo José Castello Branco foi seu companheiro, criador do local propício para a família Rossi se instalar. O professor João Rossi foi mentor, fundador, diretor e professor de várias faculdades e cursos de artes plásticas em São Paulo, dentre elas a FAAP, Mogi das Cruzes, UNAERP, MAC, Mube e Mackenzie, onde se aposentou em 1986. Não se desligou do magistério, continuou ministrando palestras e organizando cursos de extensão universitária. Teve sempre o objetivo de passar para seus alunos e seguidores as novas tecnologias que pesquisara. Nos últimos anos, especializou-se em ministrar cursos de gravura em metal, gravura esta, como era de se esperar, com tecnologia e matérias-primas bastante inovadoras. Artista que dominava várias técnicas, foi: pintor, gravador, ceramista, escultor e muralista. Era grande pesquisador das diversas matérias-primas. Gostava de se enveredar no inesperado resultado do "novo". Todas as formas de expressão plástica eram muito importantes e, muitas vezes, se fundiam num único trabalho. Criou a expressão "Polimatéria" ou "Polimatérica", que traduz o resultado final da sua obra de arte. Rossi teve duas linhas temáticas em sua obra: "São Paulo" (cidade onde nasceu, na Rua Augusta, em 1923), com seus prédios, casarões, favelas, morros e praças; e o "Ameríndio",ou melhor, a mulher ameríndia, grande paixão da sua vida. Rossi difundiu sua arte por toda América Latina, com obras expostas nos principais museus. Sua última exposição, que pôde acompanhar, foi uma retrospectiva realizada na Galeria do Memorial da América Latina, em junho de 1999. Sua família e alunos darão prosseguimento ao seu objetivo didático: tornar seu ateliê um "Museu Escola". José Enrique Rossi
- Curador do acervo "Rossi retoma
a gravura e a recompõe com traços e cores que reteve nos roteiros ameríndios.
No metal, a paciência e os detalhes dos tapeceiros; na forma da cerâmica,
a alma do sofrimento - um negativo que só seus olhos imaginam, no papel
- em poucas cópias, - a textura do veludo, os relevos das paredes, dos
corpos e da terra ; a simplicidade do crayon; as cores do pastel e da
aquarela. A técnica que serve de expressão real."
"(...) Rossi
castiga a placa intensamente. Arranca dela todas as possibilidades. Entalha-a.
Martiriza-a vincando nela o estilete agudo para marca a escritura de força
vital de homem que sente em profundidade o projeto de arte em criação.
Surgem os niños muitos, as cenas de rua, os marginais, as prostitutas.
Emergem as elegias, cantadas em surda-voz, murmúrios abafados das figuras
verdolengas - nem mortas nem vivas: párias esquecidos, sobreviventes persistentes
e teimosos da América Latina."
"A técnica de gravura em relevo desenvolvida por Rossi representa uma contribuição admirável sob vários aspectos, sobretudo pela riqueza de texturas pictóricas, que permite obter uma espécie de produção de múltiplos no domínio da pintura de textura." "(...) Rossi
sentiu a necessidade da pintura a óleo com a sua dramaticidade intrínseca,
associada sua marcada temporalidade. Na sua abertura de uma nova linguagem
cromática, Rossi dá uma contribuição importante para nossa pintura, abrindo
novos horizontes de expressão pelo cromatismo. Na sua fase atual, a pintura
de Rossi representa uma contribuição da mais significativas para um nascente
neo-expressionismo brasileiro."
Trecho de crítica
"João Rossi, artista e professor" |
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